domingo, 15 de Novembro de 2009

Súplica a Maria da Paixão


Bem aventurada és,
Maria da Paixão,
Porque o teu viver, entre nós,
Não foi em vão!

Patiste, mas deixaste
O fogo do teu amor
Sempre aceso e luminoso
Nos céus da Humanidade.
Chama que confiaste
À família que fundaste
Com fé, coragem e dor!

Roga por nós, te pedimos,
Para, como desejaste,
Sermos evangelho vivo,
Aqui e em toda a parte,
Atentas, como Jesus,
A quem sofre ou sente fome
De pão, de amor ou de luz.

Da tua luz o clarão
Ilumine a nossa mente
E incendeie o coração
Destas filhas que desejam
Continuar a Missão
Que do Senhor recebeste
E no Fiat respondeste.

Bem aventurada és,
Maria da Paixão,
Porque o teu viver, entre nós,
Não foi em vão!

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Hoje num almoço com colegas, um deles começou a falar de direitos. Mais concretamente daqueles que estão previstos na Constituição Portuguesa. Há umas semanas, ouvi alguém falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos, como estando incompleta. Enfim, direitos + direitos + direitos = a um mundo tão torto! Mas torto porquê, se há tanto cuidado e atenção em relação aos direitos da pessoa humana? Será que falta algo no meio de tudo isto? Falta! Falta a Declaração Universal dos Deveres Humanos! Peguemos num dicionário de língua portuguesa e vejamos o significado da palavra direito (conjunto de leis e disposições que obrigam uma sociedade ou uma nação), posteriormente façamos o mesmo para a palavra dever (obrigação de fazer ou não fazer uma coisa, segundo a lei, a moral ou a própria consciência). Pois é! É aqui que reside o grande problema do mundo de hoje. Todo o mundo tem direitos, todo o direito preconiza um dever, mas deixou de se respeitar a lei, acabou-se com a moral e perdeu-se a consciência!

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Vídeo da semana: "Pé na Terra" em S. Jorge

(desligue a Rádio Zona Livre para ouvir o som do vídeo)


domingo, 25 de Outubro de 2009

Quem, como Deus?


Quem, como Deus,
Que tem meu nome gravado
Na palma da Sua mão,
E o Seu nome sagrado
No meu coração e nos céus,
Mostra, por mim, mais cuidado?!

Quem, como Deus, me ama
Como à pupila dos olhos
E caminha à minha frente,
Como Guia e Bom Pastor,
Numa atenção permanente
Porque cuida com amor
A ovelhinha carente
E ávida por encontrar
Prado onde repousar,
Após comer e beber
Da água n’Ele a jorrar,
E, depois, poder andar?!

Quem, como Deus,
É Clemente e Compassivo,
Torna o pecador Seu filho
E assume a causa do povo,
Por quem dá a própria vida,
Para construir de novo
O Seu Reino sem fronteiras,
Na Verdade e Caridade,
Justiça e Paz verdadeiras,
Porque o Amor produz fruto
De mil e uma maneiras,
Sendo, Jesus, o primeiro
A eliminar barreiras
E a construir as pontes
Que unem o mundo inteiro?!

Deixo a pergunta no ar,
Para alguém se questionar.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Cuidar no Feminino com S. Bento Menni


Nesta nossa crónica levamos o leitor ao mundo existencial do cuidar no feminino. Tal como a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus se dedica essencialmente aos homens, com excepção da actividade realizada em Montemor-o-Novo, no Hospital S. João de Deus, e no Serviço de Alcoologia, na Casa de Saúde do Telhal, em Sintra, as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus dedicam-se fundamentalmente ao cuidar no feminino.
Estamos pois irmanados nos mesmos sentimentos que as Irmãs Hospitaleiras, que mantêm vivas as chamas do seu fundador, S. Bento Menni, ao apostolarem a sua própria existência ao serviço do outro, desenvolvendo assim a sua acção caritativa em 24 países.
Como já referimos, as Irmãs Hospitaleiras foram fundadas pelo Irmão Hospitaleiro Bento Menni. Estávamos em finais do séc. XIX, quando o futuro Santo Menni foi incumbido, pelo Papa, para vir restaurar a Ordem Hospitaleira no país onde nasceu o Pai da Hospitalidade.
Ao chegar a Espanha foi apoiado por duas senhoras, de seus nomes Maria Josefa Recio e Maria Angúsias Giménez, que lhe deram todo o seu labor, o qual foi aproveitado para cobrir uma grande lacuna, que era a de cuidar doentes do foro psiquiátrico, mas no feminino. Fundaram então a Congregação em Ciempozuelos, em Madrid, corria o ano de 1881. Quando O Padre Menni veio para Portugal trouxe o saber das Irmãs, estabelecendo-se em 1894 na Quinta da Idanha, concelho de Sintra, tal como o fizera com os Irmãos Hospitaleiros, quando se estabeleceu na Quinta do Telhal em 1893.
A Congregação nasceu com a vocação de serviço aos doentes mentais, aos deficientes físicos e doentes psíquicos, de preferência pobres, tendo surgido como resposta ao abandono dos doentes mentais que eram, e continuam a ser, votados à completa exclusão social. Desde cedo que sempre tiveram, como trave mestra, o objectivo de proporcionar aos doentes uma oferta de saúde integral, com o carisma do seu fundador, o qual bebeu os ensinamentos no carisma de S. João de Deus.
Durante muitos e largos anos prestaram apoio na área da psiquiatria, até que as necessidades prementes noutras áreas da saúde alargaram as valências e os apoios fornecidos.
A acção das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus desenvolve-se em Portugal em 14 Centros, nas áreas da Psiquiatria e Saúde Mental, dispondo de 2.800 camas de internamento.
No Alentejo é viva a sua presença, desenvolvendo a sua actividade no Centro de Recuperação de Menores de Assumar, prestando cuidados a jovens na área da saúde mental.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Os pés do mensageiro


Como são belos
Os pés do Mensageiro
Que desce da montanha,
Para anunciar a Paz,
Para desvendar horizontes de Esperança,
Para reflectir a luz da fé em Cristo Libertador,
Para testemunhar tranquilidade e audácia,
Para derreter o gelo da indiferença
Com o calor do afecto e do amor,
Para construir pontes,
Sobre as plataformas do diálogo
Respeitador da identidade do outro,
Para levar a Boa Nova da Salvação a todos os povos,
Para fazer de todos os povos o Povo de Deus!

Como são fortes
Os pés do Mensageiro
Que desce da montanha!
Fortes,
Para vencer dificuldades e obstáculos,
Para saltar barreiras,
Apoiado no bordão do Espírito de força e de sabedoria,
Para erguer antenas de ligação ao Transcendente,
Ultrapassando os limites do espaço e a finitude da matéria,
Para não tropeçar nas irregularidades dos caminhos e das veredas,
Para não se deixar afundar, nos terrenos pantanosos.

Como são belos
Os pés do Mensageiro,
Que revelam
A agilidade da corsa,
A persistência da andorinha,
A docilidade do cordeiro,
A graciosidade do cisne,
A alegria do canário,
A firmeza do rochedo,
A generosidade do sol,
A ternura da criança,
A fidelidade e a audácia do profeta!
Pés movidos pelo desejo
De anunciar a Salvação e a Paz,
De a todos envolver
No abraço amoroso de Deus,
Colaborando no Seu projecto salvífico
De fazer de todos os povos o Seu Povo:
“TODOS OS POVOS SÃO MEU POVO”.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Apoteótica chegada da imagem peregrina de N.ª Sr.ª de Fátima à Madeira

(Desligue a Rádio Zona Livre para poder ouvir o som do vídeo)

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Ventos de mudança


Pela primeira vez, desde o 24 de Abril de 1974, a freguesia de S. Jorge muda de cor política. O presidente eleito, Alírio Cunha, do CDS-PP, conseguiu a vitória nas urnas com um arrojado programa eleitoral que inclui uma medida original e pouco vista no meio político: a abdicação da sua remuneração enquanto presidente em favor da criação de um fundo social, cujo valor anual rondará os 3500 euros, a ser repartido da seguinte forma: 900 euros a dividir pelos três idosos mais carenciados, outros 900 premiarão os três melhores alunos alunos da Escola Básica do 1.º Ciclo e o montante restante será distribuído por todas as crianças nascidas na freguesia.
Saudámos a sua vitória eleitoral e, principalmente, o seu altruísmo, esperando que seja "contagiante".
Cumprimentamos, também, o presidente cessante e sua equipa, esperando que continuem a trabalhar por esta freguesia; ao presidente eleito damos as nossas felicitações e desejamos, para bem de todos nós, os maiores sucessos no caminho que agora enceta.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

61 anos depois, o regresso


Sessenta e um anos depois da primeira visita da imagem peregrina de Nossa Senhora do Rosário de Fátima à Madeira, o ícone sagrado regressa hoje para um périplo nas terras de Zarco. O acontecimento, que aquando da primeira visita se prolongou por 4 dias, terá agora a duração de largos meses, permitindo a todas as paróquias a oportunidade de terem por algum tempo a companhia da Mãe nesta sua imagem peregrina. Recordamos hoje as imagens da primeira visita, com a chegada da imagem a São Jorge, e damos as boas-vindas à Alva Peregrina que, à semelhança da "Serena Cordeira" - a imagem de Nossa Senhora da Encarnação da igreja matriz de São Jorge, que no séc. XVII veio em procissão desde o Funchal numa histórica e monumental peregrinação - vem hoje ao nosso encontro com o sorriso do Pai desenhado em seus lábios maternos. Estará entre nós, em São Jorge, nos dias 19, 20 e 21 de Março.

sábado, 10 de Outubro de 2009

Aprender com a criança


Quando o governo aprender
Que o verdadeiro poder
Implica saber servir
Os mais pequenos do reino
E a não cantar do poleiro
Servindo-se a si primeiro,
Os pobres podem sorrir,
Porque a justiça desponta
Trazendo a paz e a verdade,
Para romper as cadeias
Dos que vivem oprimidos,
Sem direito à liberdade
De soltar os seus gemidos.

Quando quem manda aprender
Que a escola do poder
É aquela que ensina a ser
E a agir como criança,
Que é boa p’ra toda a gente
Por não ter corrupta a mente,
Que é leal e transparente,
Sem ganância ou ambição
Roendo o seu coração,
Porque, para ela, o maior
É o que sabe dar amor,
Gratuito e sem medida,
E o que lhe defende a vida,
Haverá, em cada mesa,
Pão e vinho, com certeza,
Para alegria do povo
Que vê vencida a pobreza
E surgir um mundo novo.

Aprender com a criança,
É proposta inteligente
De Jesus que é Rei Clemente,
A quem quer ser o maior,
Para que seja o menor,
Servindo amorosamente
Idoso, pobre ou doente.

PODER ASSIM, É URGENTE.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Meu Deus e meu Tudo


Na humilde esteira de Francisco,
Faço minha esta oração,
Porque só Tu, meu Deus, és capaz
De inundar minha alma de paz
E de alegria o coração.

Quando tudo é balofo e vão,
Grita por Ti, meu coração.
Porque és Fonte de Amor e Graça,
Na ânsia de melhor Te amar,
Não cesso de Te perguntar:
SENHOR, QUE QUERES QU EU FAÇA?

-Faz, da Minha Palavra, vida
A iluminar teu caminho
E a conduzir-te por dentro,
Do coração ao pensamento,
Pois jamais andarás sozinho,
Haja sol, chuva, neve ou vento.

-Grava, em mim, meu Deus e Senhor,
A Tua proposta de amor,
Para que, em Ti, eu sempre viva
Pondo o Evangelho na vida,
A fermentar toda a acção,
De modo a fazer do agir
Entrega total à Missão

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Fonte de vida

Mesmo na mais árida das pedras, encontro teu alimento SENHOR!

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Salve, Maria Menina!



O céu se abriu
E Deus nos sorriu
No rosto inocente
Da doce menina
Chamada Maria,
Fonte de alegria
E muita esperança
Para toda a gente,
Ao tornar palpável
A grande Aliança
De Deus Pai de Amor
Com a humanidade,
No dom admirável
Da maternidade
Na fé assumida
Para, em Jesus,
Deus nos dar a Vida.

Parabéns, Maria,
Porque nesse dia
Deus se enamorou
Do teu coração
E, por ti, sonhou
Dar-nos o Seu Filho,
Nossa salvação!

Ele te fez menina,
Jovem e mulher
Sempre disponível
E pronta a acolher
O plano de divino
Que o teu Sim fiel
Fez acontecer,
Tornando-te mãe
Do Filho de Deus
E nossa também.

Por isso, rezamos
E, alegres, cantamos
A ti, Mãe Maria,
Senhora da Esperança,
Arca da Aliança
Que a paz anuncia.
Feliz quem te toma
Por Mãe e por Guia!

domingo, 13 de Setembro de 2009

Se não souberes para onde vais, não importa o caminho que vais seguir...

Falemos de vícios. Concretamente de tabaco. Milhares de campanhas, mensagens negras de alerta, não são o suficiente para deixarmos. Todos os dias inventamos mil e uma desculpas, do género: não consigo, gosto muito de fumar, é completamente impossível; sem um cigarro não consigo pensar; se deixo engordo; a partir de amanhã reduzo (e rapidamente voltamos ao mesmo...).
Fui fumadora durante 15 anos. Fui mãe e na gravidez não consegui deixar de fumar, só reduzi. Até que um dia, olhando os meus filhos, lancei também um olhar ao futuro: se eu viver mais dez anos, consigo acompanhá-los até atingirem a maioridade!... E a partir desse momento, atirei com os últimos cigarros ao lixo; o fumo que até então era uma provocação, passou a incomodar-me. Passaram 13 anos. Nunca mais fumei e quando olho os meus filhos, vejo que foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida. Aquilo que para mim parecia impossível (deixar o vício) tornou-se realidade. Atrevo-me a dizer que neste aspecto, sou um caso de sucesso. Segredos? Não, só a minha força de vontade, muito amor e definição de um objectivo.
Se definirem também o vosso objectivo, facilmente poderão (e com sucesso) escolher/decidir qual o vosso caminho...

domingo, 6 de Setembro de 2009

O Setembro


É a grande peregrinação do arquipélago, tão enraizada na alma madeirense quanto os seculares vinháticos da floresta dos louros. A festa do Senhor Bom Jesus de Ponta Delgada, entre nós conhecida simplesmente como "o Setembro" (por se realizar no primeiro Domingo deste mês), arrasta, ainda hoje, multidões de fieis aos pés da imagem crucificada do Redentor. Noutros tempos, a peregrinação demorava dias, pelo que se tornou num evento que revestia de fulgor festivo as povoações vizinhas: em locais aprazíveis, recebiam-se os peregrinos com barracas de comes e bebes onde se geravam alegres e espontâneos convívios musicais. Em S. Jorge, os locais que congregavam as multidões situavam-se na Achada do Vigário, Felpa e Beira da Quinta, com destaque para este último, onde os extenuados caminhantes tinham um primeiro vislumbre da igreja do Bom Jesus após uma contínua marcha em sentido ascendente. Aqui davam descanso e refresco ao corpo para os momentos finais da peregrinação, e cá se despediam da ermida banhada pelas ondas, ao regressarem aos seus lares. E se, hoje em dia, a festa ganhou um cariz mais individualista, ainda há quem viva o Setembro no mesmo espírito de partilha e esperança que tantas almas tem acalentado ao longo das gerações.

Vida em dom transformada


No Teu altar, Senhor,
Coloco a minha vida,
Para em dom ser transformada
E, por Ti próprio, enviada
A ser expressão de Amor,
Perdão e Paz, sem medida.

Em Ti, Jesus, que me chamas
E me cumulas de graça,
A cada hora que passa,
Contemplo o olhar de Maria,
Minha e Tua mãe também,
Que a sorrir me estende a mão,
A dar-me força e alento,
Para seguir-Te, Jesus,
Sempre e a todo o momento,
Fiel ao Teu chamamento
E em gozosa doação,
Para que o mundo Te aceite
E se abra à Salvação.

Tudo o que tenho e o que sou,
A Ti, meu Deus, tudo dou,
Para, onde quer que esteja,
Ser presença benfazeja
A testemunhar o Amor,
Que és Tu, meu bom Senhor.

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Irmão de S. João de Deus De oleiro de barro a oleiro da Vida!


Coração pronto a acolher,
Sem distinguir credo ou cor,
E sempre atento ao mais pobre,
Porque bate por amor
Generoso e sem medida,
Pois, amar como Jesus,
É norma da sua vida.

Pés que correm pressurosos,
Para acudir ao aflito
Onde quer que este esteja,
Dispostos a transformar
Em oração o seu grito
E seu corpo em altar,
Vendo Deus vivo e presente,
Nas pessoas que encontrar.

Mãos abertas que se entendem,
Para servir e cuidar,
Com amor, arte e saber,
E o bem, bem feito, fazer,
Para melhor encarnar
Deus Amor que cura e salva,
Dando vida ao corpo e à alma.

Rosto humano que reflecte
A ternura de Deus vivo,
Muita paz e confiança,
Irradiando a esperança
Que transforma a noite em dia,
Presença que anuncia
De Jesus a encarnação,
Para libertar quem sofre
Das correntes que lhe prendem
Corpo, mente e coração.

Tudo isto e muito mais,
Faz Jesus em ti, Irmão,
Que, como João de Deus,
Procuras fazer o bem,
Para que a humanidade
Experimente, em verdade,
O amor que Deus lhe tem.

Bem hajas, Irmão amigo,
Pelo sim que deste e dás
A Jesus que te chamou
A ser seu anjo de Paz.
Deixaste a primeira arte!
Mas, continuas oleiro,
Como Irmão e Enfermeiro,
Do barro que Deus formou
E lhe deu sopro de Vida,
Por um amor sem medida.

Ao Ir. Enf. Jorge Coelho Dias,
(Superior e Director de Enfermagem)
Com um abraço de estima e gratidão
Anil
Hospital de S. João de Deus
Montemor-o-Novo, 29.09.05


quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Escuteiros de Galegos S. Martinho visitam Montemor-o-Novo



O agrupamento de Escuteiros 486 de Galegos S. Martinho Barcelos, constituído por 7 dirigentes, 2 caminheiros, 9 pioneiros, 14 exploradores e 16 Lobitos deslocou-se, no passado mês de Abril entre os dias 25 e 27 de 2008, a conhecer Montemor-o-Novo, para conhecer a terra natal de S. João de Deus e dos espaços que lhe estão consagrados, como o antigo convento, igreja e cripta, o Hospital S. João de Deus, assim como todo o espaço envolvente ao tempo que era menino e jovem. Por outro lado tiveram como objectivo estar com o seu contemporâneo, o autor destas linhas, que foi um dos fundadores do referido Grupo de Escuteiros.
Este Agrupamento foi recebido no Hospital de S. João de Deus pelo Presidente da Câmara, Dr. Carlos Pinto de Sá, e por mim próprio. Na altura desejaram-me e formularam votos de boa estadia a este grupo de jovens, oriundos do norte do país, tendo estes ouvido silenciosamente as sábias palavras do autarca no tocante à presença do Santo e da Ordem em terras alentejanas.
Durante a sua estadia os barcelenses ficaram acantonados no Hospital S. João de Deus, confraternizando com os internados, e onde fizeram o tradicional fogo do concelho, com a presença de alguns doentes e funcionários do hospital, os quais participaram neste evento cheio de simbolismo e harmonia.
Foi, sem dúvida, um dos momentos emblemáticos da visita, quebrando-se as fronteiras da idade e distância geográfica entre os presentes, partilhando-se reflexões do quotidiano, mas também de rumos de vida e vocação para nos consagrarmos ao outro, aos nossos irmãos.
A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo colaborou activamente nesta visita, tendo a amabilidade de ceder um autocarro para visitar a cidade e os seus principais monumentos, acompanhados sempre por uma excelente Guia, tanto a nível de conhecimentos da história local como transbordante em simpatia. Entre muitos outros locais, visitaram o Convento de S. Domingos, onde apreciaram a história que ali foi sendo reunida ao longo de gerações, manifestando, e isto porque a sua realidade geográfica é outra, grande interesse e espanto a colecção associada aos forcados e ao culto da tourada, e Nossa Senhora da Visitação, maravilhando-se com os belíssimos painéis de azulejo e a grande quantidade de registos, sendo muito comentada a presença dos crocodilos empalhados e dos quadros a solicitarem os favores da Santa Mãe.
No Domingo participaram e colaboraram na Eucaristia dominical das 11 horas na igreja do hospital, animando a celebração com o grupo coral.
Os escuteiros de Galegos S. Martinho Barcelos, após nos terem manifestado o seu júbilo de gratidão pela forma como foram acolhidos, e carinhosamente acompanhados neste fim-de-semana repleto de história e conhecimento da vida de S. João de Deus, exprimiram a todos os Irmãos da Comunidade de Montemor e ao presidente da Câmara da cidade da Hospitalidade o seu muito obrigado, certos que levaram a vontade para o próximo regresso.



terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Só a Ti, Senhor...


Não quero que no meu cantar
A minha pena transpareça;
Quero sofrer e calar,
Não quero dar á gente migalhas do meu pesar …
Apenas Tu, Deus e Senhor,
Tu que amor me feres;
Tu, que imenso amor,
provas com maior dor
Às almas que mais queres.
Tu, apenas saberás;
Pois só quero contar
o meu secreto padecer
a quem o há-de compreender
e o pode consolar.
Bendito sejas Senhor,
Porque pões com amor,
Sobre espinhos de dor,
Rosas de conformidade!...


J. M. Pemán

Alegorias de Fé e Saúde


S. Camilo de Lélis

Camilo de Lélis nasceu em Bucchianico, na província de Chieti, a 25 de Maio do ano Santo de 1550. Perdida a mãe antes dos catorze anos, irrequieto e nada amante do estudo acompanhou muito cedo o seu pai, continuadamente empenhado nas armas.
Aos dezassete anos seguiu o pai com destino a Veneza, ocupada na guerra contra os turcos. Durante uma paragem nas Marcas, o pai morreu e apareceu no pé direito de Camilo uma misteriosa chaga, da qual nunca mais se curou.
Foi forçado a abandonar o projecto da carreira militar. Entretanto a chaga atormentava-o e dirigiu-se a Roma (7 de Março de 1569), recolhendo-o no Hospital de S. Tiago. Enquanto esperava tratamento com água de pau, prestava alguns serviços remunerados no entanto, perdia tudo no jogo.
Em Dezembro de 1571, resolveu alistar-se novamente no exercito veneziano, para a formação de uma nova liga contra os turcos, e aí permanece até 1573. Voltou a Roma e, perdeu novamente todos os seus bens no jogo, pelo que resolveu alistar-se em Nápoles no exercito espanhol, para combater em África.
Após algumas reflexões pessoais, tomou hábito dos Capuchinhos mas, no fim do noviciado, o seu pedido de integração foi rejeitado, devido ao agravamento da chaga do pé direito. Voltou a Roma, no Ano Santo de 1575, a esteve n Hospital de S. Tiago durante mais quatro anos.
Com a obstinação própria do seu carácter, voltou à vida religiosa em 1579, mas a chaga incurável obrigou-o nesse mesmo ano a recolher-se pela terceira vez ao Hospital S. Tiago. Aí se transformou de doente em agente voluntário de saúde, preparando a instituição religiosa que veio a fundar em 1584, não sem uma certa influência do concelho e experiencia por parte dos Irmãos de S. João de Deus, já então presentes na Ilha Tibeiana.

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